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Na África do Sul, G1 mostra as cidades com maior desigualdade social do mundo

Joanesburgo, Ekurhulen e Buffalo City lideram ranking da ONU.
Quem tem dinheiro não faz cerimônia na hora de ostentar

Marta Reis Do G1, em Joanesburgo

Foto: Marta Reis/G1 Foto: Marta Reis/G1

Mansão em Joanesburgo (Foto: Marta Reis/G1)

Menos de dez quilômetros separam duas realidades completamente distintas de Joanesburgo. De um lado, o bairro de Sandton, com suas luxuosas mansões, imponentes shoppings e sofisticadas BMWs. Do outro, Alexandra, uma comunidade que vive à beira do colapso – a maioria das casas não tem água encanada ou esgoto, o desemprego beira os 40%, o que acaba sendo um trampolim também para a violência. 

Foto: Marta Reis/G1 Foto: Marta Reis/G1

Soweto, distrito no subúrbio de Joanesburgo (Foto: Marta Reis/G1)

De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado no último dia 19, a África do Sul tem as três cidades mais desiguais do mundo no quesito distribuição de renda. São elas: Joanesburgo, Ekurhulen e Buffalo City. As duas primeiras ficam em Gauteng, a província mais rica do país, e a última na Província do Cabo Oriental.

O estudo, intitulado O Estado das Cidades do Mundo 2010/2011: Unindo o Urbano Dividido, também destacou Goiânia, Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília como as mais desiguais do Brasil. 

Foto: Marta Reis/G1 Foto: Marta Reis/G1

Em Tokosa falta quase tudo (Foto: Marta Reis/G1)

Entre as três cidades sul-africanas, Joanesburgo tem a desigualdade mais flagrante, justamente por ser a mais rica. Quem tem dinheiro aqui não faz cerimônia na hora de ostentar. Não é raro encontrar mansões que ocupam meio quarteirão e milionários desfilando em carros conversíveis.

Em contrapartida, suas townships (espécie de favela) impressionam pela precariedade. A maioria dos barracos é feita de telha de zinco sem qualquer isolamento térmico, ou seja, viram um forno durante o verão e um congelador durante o rigoroso inverno da cidade.

Na vizinha Ekurhule, fica a comunidade de Tokosa, uma das mais pobres do país, que protagonizou em junho do ano passado uma onda de protestos violentos por melhores condições de vida. Em Tokosa falta quase tudo.
“Não temos água encanada, eletricidade ou habitações dignas. Esse lugar não pode ser chamado de casa, está num estado tão ruim que nem porcos podem viver aqui”, reclama o morador Betwell Khatlade.

Foto: Marta Reis/G1

Ricos de Joanesburgo fazem questão de ostentar (Foto: Marta Reis/G1)

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Em Alexandra, casas não têm água encanada ou esgoto (Foto: Marta Reis/G1)

Em Buffalo City, o panorama é parecido. Enquanto uma pequena porcentagem da população enriqueceu a partir das indústrias automobilística e farmacêutica que são fortes na região, mais de 70% das pessoas vivem com pouco mais de R$ 300 por mês. Na township de Mdantsane, a segunda maior do país depois de Soweto, um em cada três adultos está desempregado e vive em habitações precárias.
Apesar de ter a economia mais pujante do continente, a África do Sul tem pelo menos 40% da população abaixo da linha da pobreza, vivendo com menos de dois reais por dia. Um milhão de sul-africanos ainda moram em barracos sem água nem eletricidade.
A desigualdade de renda no país ganhou força principalmente durante o Apartheid, quando menos de 10% da população – leia-se brancos – detinha toda a riqueza do país. Além de não terem direito à propriedade, os negros não podiam ocupar cargos importantes no governo ou em empresas privadas. Além disso, eram removidos dos bairros nobres para as periferias – as townships.

Foto: Marta Reis/G1

Casas pobres de Soweto (Foto: Marta Reis/G1)

A eleição de Nelson Mandela em 1994 significou liberdade, mas não necessariamente melhores condições de vida para a maioria da população. Ao invés de diminuir a diferença de renda entre negros e brancos, a África do Sul democrática aumentou a desigualdade entre os próprios negros.
A situação preocupa tanto que a principal promessa de campanha do atual presidente Jacob Zuma foi levar serviços básicos, como água, eletricidade e esgoto às comunidades mais pobres. No entanto, como pouco foi feito nos meses seguintes às eleições, o país foi tomado por uma onda de protestos que se desdobram até hoje.
“O governo deve nos dizer por mais quanto tempo vamos viver deste jeito. Já faz 15 anos que esperamos por esses serviços e nada acontece. Não dá mais”, critica Sipho Duma, líder comunitário de Tokosa.

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Categorias:Copa 2010
  1. Eliene
    julho 8, 2010 às 11:10 pm

    Parabéns pela matéria. Mostrar o contraste social de um território é sempre positivo, principalmente quando se trata de um país que esta sediando um evento de grande porte como a copa do mundo. Dinheiro publico foi utilizado em obras nos grandes centros. Precisamos saber é se agora essas comunidades carentes também vão ser beneficiadas, ao menos com o mínimo para não viverem em condições sub humana.

  2. junho 16, 2010 às 10:26 am

    obrrigada

  3. junho 16, 2010 às 10:25 am

    sem comentarios

  4. junho 7, 2010 às 11:36 am

    aqdorei essa materia olhando os dois lados da africa
    pois o ser humano as vezes nao olha issso

    • junho 7, 2010 às 2:21 pm

      Olá Victor seja bem vindo ao Happens

      Esteja a vontade para comentar, é realmente importante fazer uma analize mais abrangente dos assuntos, e é isso que fazemos aqui.
      Abçs
      Blue Fairy

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