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Bactéria resistente a antibiótico está se deslocando do Sul da Ásia para os EUA

Uma nova mutação perigosa, que torna algumas bactérias resistentes a quase todos os antibióticos, está se tornando cada vez mais comum na Índia e no Paquistão e está sendo encontrada em pacientes no Reino Unido e nos Estados Unidos que receberam atendimento médico naqueles países, segundo novos estudos.

Especialistas em resistência a antibióticos chamaram o gene em mutação, o NDM-1, de “preocupante” e “ominoso”, e disseram temer que ele se espalhe pelo mundo.

Mas eles também o colocaram em perspectiva: há várias cepas de germes resistentes a antibióticos, e apesar de matarem muitos pacientes em hospitais e asilos, nenhuma ainda se mostrou à altura da hipérbole de “superbactéria” e “bactéria comedora de carne” com que a descoberta de cada uma é recebida.

“Todas elas são ruins”, disse o dr. Martin J. Blaser, chefe de medicina do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York. “O NDM-1 é mais preocupante do que o MRSA? É cedo demais para avaliar.” (O MRSA, sigla em inglês para Staphylococcus aureus resistente a meticilina, é uma bactéria de difícil tratamento que costumava causar problemas apenas em hospitais, mas agora é encontrada em academias, presídios e asilos, e ocasionalmente é contraída por pessoas saudáveis por meio de cortes e arranhões.)

Bactérias com o gene NDM-1 são resistentes até mesmo aos antibióticos chamados carbapenemas, usados como último recurso quando os antibióticos comuns fracassam. A mutação foi encontrada no E. coli e na Klebsiella pneumoniae, uma frequente culpada por infecções respiratórias e urinárias.

“Eu não gostaria de estar trabalhando em um hospital onde isso fosse introduzido”, disse o dr. William Schaffner, chefe de medicina preventiva da Universidade Vanderbilt. “Poderia levar meses para se livrar dela e o tratamento de pacientes individuais com ela poderia ser muito difícil.”

Um estudo rastreando a disseminação da mutação da Índia e Paquistão para o Reino Unido foi publicado online na terça-feira na revista “Lancet”.

Em junho, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontaram os primeiros três casos de resistência NDM-1 nos Estados Unidos e orientaram os médicos a ficarem atentos para ela em pacientes que receberam atendimento médico no Sul da Ásia. As iniciais significam metalo-beta-lactamase1 de Nova Déli.

O “turismo médico” para a Índia para muitas cirurgias – cosméticas, odontológicas e até mesmo transplante de órgãos – está se tornando mais comum à medida que cirurgiões experientes e hospitais de primeira classe oferecem atendimento por uma fração dos preços ocidentais. Os pesquisadores da “Lancet” encontraram dezenas de amostras de bactérias com o gene resistente NDM-1 em duas cidades indianas que pesquisaram, o que eles dizem sugerir “um problema sério”.

Também preocupante foi o fato do gene ter sido encontrado em plasmídeos –pedaços de DNA móveis que podem saltar facilmente de uma cepa de bactéria para outra. E é encontrada em bactérias gram-negativas, para as quais não estão sendo desenvolvidos muitos novos antibióticos. (O MRSA, por sua vez, é uma bactéria gram-positiva, e há muitas drogas candidatas em desenvolvimento.)

O dr. Alexander J. Kallen, um especialista em resistência a antibióticos dos CDC, o chamou de “uma das várias bactérias sérias que estamos monitorando”.

Mas ele notou que, há uma década, os hospitais de Nova York eram o epicentro de infecções por outras bactérias resistentes aos antibióticos carbapenemas. Aquelas bactérias, que tinham uma mutação diferente, eram perturbadoras, mas não explodiram em uma emergência de saúde pública.

Bactérias resistentes a drogas como estas, com a mutação NDM-1, geralmente são uma maior ameaça em hospitais, onde muitos pacientes estão sendo tratados com um amplo espectro de antibióticos, que eliminam as bactérias normais que podem conter aquelas resistentes aos antibióticos.

Além disso, os pacientes de hospitais geralmente apresentam sistemas imunológicos mais fracos e mais ferimentos para infeccionar, e são examinados com mais sondas e cateteres que permitem a entrada das bactérias.

Fonte: UOL noticias e fimdostempos

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Categorias:Acontece no Mundo
  1. Ministério da Saúde
    agosto 25, 2010 às 3:14 pm

    Olá blogueiro,
    É muito importante também incentivar a doação de órgãos e conscientizar as pessoas sobre a importância deste gesto de solidariedade.
    Para ser doador de órgãos não é preciso deixar nada por escrito. O passo principal é avisar a família sobre a vontade de doar. Os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. Divulgue a ideia e salve vidas!
    Para mais informações: comunicacao@saude.gov.br
    Ministério da Saúde

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