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Filme russo lembra 25 anos de Chernobyl

Filme russo lembra 25 anos de Chernobyl

Nessa terça-feira (26/04), o acidente nuclear na usina de Chernobyl, na Ucrânia (então União Soviética), completa 25 anos. Na ocasião, um dos reatores da usina sofreu uma explosão de vapor e, num efeito-dominó, resultou naquele que é considerado o maior desastre da história da energia nuclear. O governo soviético tentou conter a situação internamente e só dois dias depois da catástrofe reconheceu formalmente o que tinha acontecido, ainda assim porque um aumento no nível de radiação no continente foi detectado por uma usina sueca.

Estima-se que a contaminação tenha sido 400 vezes maior do que a provocada pela bomba atômica de Hiroshima e que regiões distintas da União Soviética, da Europa Oriental, da Escandinávia e do Reino Unido tenham sido atingidas pela nuvem de radioatividade.

Em 1986, mais de 200 mil pessoas tiveram de ser realocadas para áreas de segurança. Hoje, os prejuízos são menos mensuráveis, embora estudos afirmem que cerca de 4000 pessoas tenham falecido ou venham a falecer em decorrência de doenças relacionadas ao acidente. O curioso é que as causas da tragédia nunca foram precisadas: erros humanos e técnicos são apontados como justificativas, em teorias jamais confirmadas.

Foi a primeira vez que o mundo confrontou a força da energia nuclear fora de controle – tema que, à época, soava tão fictício quanto as mais apocalípticas das obras cinematográficas. E agora, 25 anos depois, essa história chega aos cinemas, em “Innocent Saturday”, filme russo que teve pré-estreia no último Festival de Berlim e lançamento comercial na Europa neste fim de semana – não há previsão de estreia para o Brasil.

O longa do diretor e roteirista Alexander Mindadze chega em momento oportuno para levantar a discussão sobre as normas de segurança nas indústrias nucleares, encontrando reverberação no recente acidente na usina de Fukushima, após um terremoto e um tsunami atingirem violentamente o Japão.

Em “Innocent Saturday”, Mindadze não monta um cenário de catástrofe apocalíptica, ao estilo hollywoodiano, mas a forma silenciosa e invisível com que a radioatividade ataca. Oleg Mutu, grande diretor de fotografia romeno, opta por manter à câmera sempre em mãos, como se ela estivesse no ponto cego dos personagens.

A narrativa enfoca um casal que se encontra nas mediações de Chernobyl, nas primeiras 36 horas que se seguem ao acidente. Eles continuam na região, vão à festas, tocam suas vidas e sintetizam todos os indivíduos que, mesmo conscientes da tragédia, optaram por continuar aonde estavam – não por heroísmo, mas por inércia e ignorância.

Isso diz algo sobre o comportamento humano de maneira universal, e é apenas natural que o diretor tenha ficado intrigado com a premissa. “O que me fascinou foi o porquê de as pessoas que sabiam da catástrofe não terem fugido da cidade. Talvez porque o perigo era invisível”, reflete Mindadze. No filme, ele não chega a uma conclusão – até porque, na realidade, o debate ainda não tenha se encerrado.

Mindadze garante que, mesmo após 25 anos, o desastre permanece fresco na memória dos habitantes da antiga União Soviética. Mesmo os mais novos, como o ator Anton Shagin, que interpreta o protagonista de “Innocent Saturday”, formularam suas próprias lembranças.

Shagin tinha dois anos de idade à época do acidente, mas se recorda que, anos depois, os alunos da escola que haviam estado em áreas afetadas por Chernobyl recebiam suplementos alimentares diferentes daqueles que não haviam sido atingidos. Svetlana Smirnova-Marcinkevich, a atriz que interpreta a namorada, sequer era nascida em 1986, mas foi criada com os relatos de horror dos que experimentaram Chernobyl na pele.

Gestado nesse timbre de familiaridade, “Innocent Saturday” não é documentário, mas faz o possível para simular a vida real. O filme foi rodado no leste da Ucrânia, em uma zona não-nuclear que assume o papel de Chernobyl.

Curiosamente, o cinema chegou a prever tudo isso em “Síndrome da China” (1979), filme dramático com Jane Fonda e Jack Lemmon, sobre um desastre nuclear na Califórnia, cuja extensão é mantida em segredo.

“Síndrome da China” adiantou a essência de Chernobyl e foi lançado quase simultaneamente a um famoso acidente americano – o da central nuclear Three Mile Island – que ocorreu em março de 1979, 12 dias após a estreia do filme. Não é que a vida imitou a arte. A grande arte é que faz valer os seus papeis múltiplos: antecipar, criar, verter e registrar.

Fonte> pipocamoderna

Categorias:Acontece no Mundo
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